Bacia Hidrográfica do Rio Água dos Papagaios – Geoprocessamento – Parte 2

Imagem de Ghinzo por Pixabay

No post anterior falamos sobre a aquisição de imagens no site do INPE e a escolha da imagem do LANDSAT para trabalhar com a análise da Bacia Hidrográfica do Rio Água dos Papagaios. Agora vamos chegar a uma parte mais prática: como trabalhar com a imagem digital?

Tendo a imagem em formato .tiff passou-se a utilização do módulo IMPRIMA do SPRING. Este módulo é utilizado somente para se obter uma imagem no formato .SPG (Spring Gridded binary) que é um formato de valores de ponto de grade expresso no modo binário.  Em nosso caso utilizamos também deste para recortar a imagem de tal forma que cobrisse apenas a área mapeada da carta topográfica. Segundo o tutorial presente no próprio aplicativo, as principais características do formato .SPG é a presença de:

  • Height : número de linhas da imagem;
  • Width : número de colunas da imagem;
  • Data Type : tipo de dado da imagem (int1, int2, int4, uint1, uint2, uint4, Real4 ou Real8);
  • Format : tipo de formato do arquivo de imagem (SPG ou RAW);
  • Os outros itens podem ser acrescentados conforme a operação aplicada sobre a imagem.

Georeferenciamento da carta topográfica

Antes de ser importada para o BD a carta foi georreferenciada a partir do menu Arquivo-Registro no SPRING. Ao acionar este menu se abre a caixa de diálogo Registro de Imagem e uma tela com o nome Auxiliar. Após desenhar a carta, devem-se selecionar quatro pontos distribuídos nas extremidades da carta e anotar as coordenadas UTM correspondentes ao local com a utilização do menu Registro de Imagem, marcar a localização dos pontos e posteriormente salvá-las e importar ao BD. Estando pronto o Georreferenciamento passou-se à delimitação da bacia hidrográfica.

Delimitação e edição dos rios da bacia hidrográfica

Antes de adentrarmos ao modo em que realizou-se a delimitação e edição de rios, cabe reconhecer dois dos conceitos mais utilizados  durante  as aulas: modelo e classes temáticas. Segundo a ajuda do SPRING os modelos existentes para uso no aplicativo são:

  • IMAGEM  Categoria do modelo Imagem refere-se a dados provenientes de sensoriamento remoto em formato matricial. Exemplos: imagens TM/LANDSAT, SPOT, NOAA, fotografias aéreas transformadas em imagens digitais através de “scanners” etc.
  • NUMÉRICO  Categoria do modelo Numérico refere-se a dados que possuem uma variação contínua de seus valores numéricos em função de sua posição na superfície. Exemplos: altimetria, pH do solo, magnetometria, temperatura de superfície etc.
  • TEMÁTICO  Categoria do modelo Temático refere-se a dados que classificam uma posição geográfica quanto a um determinado tema. Ex: tipos de solo, classificação de vegetação etc.

Quando utilizamos o modelo temático, temos que descrever sua classe temática para especializar a categoria. De acordo com a ajuda do aplicativo, são utilizáveis as seguintes classes:

  • OBJETO  Categoria de dados do modelo Objeto refere-se à especialização de um tipo de objeto geográfico. Exemplo: municípios, logradouros, propriedades etc.
  • CADASTRAL  Categoria do modelo Cadastral refere-se aos mapas que contêm a representação de determinado tipo de objeto, por exemplo: Divisão política é a categoria cadastral que conterá o mapa com as representações dos municípios.
  • REDE  Categoria do modelo Rede refere-se aos dados geográficos que possuem relações de fluxo e conexão entre os inúmeros elementos que deseja-se representar e monitorar. Ex: rede de energia elétrica , esgoto, água, drenagem, telefonia etc.
  • NÃO-ESPACIAL  Categoria do modelo Não-Espacial refere-se aos dados que não possuem representação espacial como, por exemplo, os dados de cadastros rurais e urbanos.

Como já havíamos trabalhado com a delimitação e edição dos rios de Bacias hidrográficas nos primeiros bimestres, apenas importou-se dados para compor nosso banco de dados a partir de outro pré-existente. Caso fosse necessário a criação da base para delimitação e edição dos rios, poderia ser utilizada uma carta topográfica digitalizada e posteriormente se criariam plano de informação (PI) para uso e edição, tais como bacia e rios.

Para a delimitação seleciona-se no SPRING o PI bacia para ativá-lo. Selecionamos o menu Temático a opção Edição Vetorial. Clica-se no ícone Características, posteriormente foi selecionado o modo Passo e a opção Criar linha fechada. Assim como manualmente todo o processo teve início a partir da foz do rio principal até que se fechasse o desenho da bacia hidrográfica. Tendo terminado e salvo as alterações realizadas foi recortado o trecho delimitado o associando com o plano de informação bacia.

O processo de classificação das ordens dos canais ocorre após ativar o plano de informação rios, clicar sobre o menu Temático opção Edição vetorial,  e a digitalização dos rios obedecendo o seguinte critério:  Os rios de primeira e segunda ordem em tons de azul mais claro e os de terceira e quarta ordem de cor mais escura.

Fizemos também a classificação dos usos do solo onde foram pré-definidas quatro classes de mapeamento: edificações, vegetação arbórea, solo exposto ou em preparação e cultura agrícola temporária. Tais classes foram definidas pelo professor durante a execução das atividades considerando a paisagem existente na área abrangida.  No próximo post mostraremos a parte final deste trabalho com a representação gráfica e uma pequena interpretação dos dados obtidos.

Referências

  • FERREIRA, Hilcéa Santos & LOPES, Eymar Silva Sampaio. TUTORIAL 10 AULAS – SPRING 5.1. Versão Windows e Linux. INPE, Agosto de 2009. Disponível em: www.dpi.inpe.br/spring/portugues/banco.html Acesso em 01 jul 2012.
  • FLORENZANO, Teresa Galhotti. Iniciação em Sensoriamento Remoto. São Paulo: Oficina de Textos, 2007.
  • SILVA, Ana Lúcia Gonçalves da & FRANCISCO, Cristiane Nunes. Descrição dos Principais Sistemas Sensores Orbitais em Operação. Jan/2002. Disponível em: <www.professores.uff.br/cristiane/Documentos/apostilasr.doc>Acesso em 02 dez. 2012.