Cultivando turistas em Roncador

Manhã de quarta feira, seguimos em direção à cidade de Roncador para conhecer a Pousada Parque das Gabirobas. Senhor Mariano nos recebeu em sua propriedade e nos contou um pouco de como tudo começou e como tem renovado o sonho de tornar a pousada  um ambiente familiar que aproxima as pessoas do contato com a natureza.

Segundo o proprietário e idealizador da pousada, senhor Mariano Almeida Machado a propriedade foi adquirida em 1976. O sonho foi ganhando forma e aos poucos se tornou um dos mais bem sucedidos exemplos de empreendimento voltado a turismo rural do Brasil.



A compra da propriedade e os primórdios do turismo rural


Mariano
  – A propriedade a gente adquiriu em 1976, portanto tem 43 anos. Só que na realidade a gente começou no dia que eu adquiri a propriedade. Mesmo sem saber que um dia a ia culminar com esta atividade. Por que o turismorural no Brasil surgiu em 1995 em Venda Nova do imigrante  (Espírito Santo) e em Lages em Santa Catarina que é onde começaram a ter as primeiras pousadas e começaram a receber os primeiros hóspedes que saiam da área urbana para o rural.
Bom durante estes 1976 a 1997, que dão 21 anos mais ou menos é a gente gente começou a fazer coisas que  não estavam  no script. Primeiro preservei 25 alqueires da área aqui total. 50% da área da época. Chamaram a gente de louco naquela época. Porque onde já se viu deixar de mecanizar 25 alqueires que poderia plantar soja. Que que eu queria com essas gabirobeiras né? Como eu fui criado na roça. Nasci na roça e junto com meu pai. Meu pai tinha safra de porco. A gente ia caçar. Correr as cercas. Ver os porcos. O pai ia com uma espingardinha matando passarinho mais alto e eu com estilingue em baixo.

Então foi isso quando eu vi esta propriedade o que me encantou não foi a terra mecanizável. O que eu vi foi um bosque e a gabirobeira. E preservei. Fiz daqui um lugar de lazer com minha família, meus funcionários naquele tempo das casas Brasil, do supermercado, tinha bastante gente. Fazia aqui o nosso encontro. Nosso primeiro de maio. Lógico que a gente ia fazendo algumas coisas que o pessoal tinha até razão de chamar a gente de louco. Primeiro fazer um lago ali onde você viu que o lugar era puro laje. E da onde que eu ia trazer a água? Então eu fiz o lago a água eu vou me virar depois.

Coragem e ousadia

Fazer uma rede de telefone daqui a Roncador, 87 postes, 7 mil metros de cabo. Pra que que eu queria um telefone aqui se eu morava em Campo Mourão? Não é? Naquele tempo era um custo altíssimo né. Outra coisa, o lago ali  como eu te falei eu não sabia de onde ia conseguir água eu fiz  uma captação, uma canalização das nascentes via gravidade. E aí quando vinha a seca a água ia lá embaixo. E aí eu já tinha colocado uns peixinhos. Fiz um laguinho que eu gostava de pescar umas tilápias né. E aí secava. Que que eu fiz? Comprei um poço artesiano. Instalei um poço artesiano aqui. São 101m de profundidade (…) Pra você ver como o pessoal tinha razão de me chamar de louco. Mas sem querer eu tava fazendo uma estrutura, uma infraestrutura que um dia ia culminar com essa atividade que nós temos hoje. Não é

Então veja bem eu fiz um campo de futebol, iluminei o campo de futebol, tem arquibancada, fiz tudo. Por que eu ia querer um campo de futebol aqui na propriedade se eu era sócio de clube em Janiópolis, Moreira Sales, Mamborê, Campo Mourão, aqui em Roncador. Jogava futebol em todas essas áreas aí. Disputava campeonato e ainda queria um campo de futebol na minha propriedade. Mas uma coisa que não tinha muita lógica, não é? E olha todas estas coisas. O campo de futebol se transformou num atrativo. Meus hóspedes vinham aqui nós jogávamos futebol. Fazia um grupinho. Os lagos aí são lagos contemplativos onde tem peixe, pesca, faz o skybunda,  tirolesa. O telefone nossa principal ferramenta de trabalho, temos internet. Temos tudo aqui. O poço artesiano é a água que nós tomamos hoje. Cada dois anos a gente faz laudo de potabilidade de água.

O turismo rural se desenvolve na propriedade





Então quando nós percebemos, quando caiu a ficha pro turismo rural. Que começava a surgir aqui em nossa região através do professor Jacó Gimenes que hoje é presidente da Paraná Turismo. Ele foi reitor da Universidade de Maringá. Foi secretário de administração do Rubens Bueno de Campo Mourão. Chegou aqui na nossa região falando muito de turismo rural. E eu acompanhei as palestras dele. Fui acompanhar fui fazendo caravanas técnicas, com minha família com nossa gerente aqui a Nita.
E quando vimos isso ai tudo resolvemos fazer essa transformação. Essa transformação também foi pensando o seguinte: eu estava cansado e 34 anos no comércio. E minhas filhas cada uma em tinha seguido seu destino. Duas casaram. A outra morava em Maringá, era publicitária. Eu tinha que me preocupar muito com minha esposa. Sozinha lá no nosso apartamento. Eu imaginava que tal se de repente acontecia um acidente comigo. Ou me desse um infarto. E eu viesse a faltar. Ela ia fazer o que com aquelas lojas. Uma bomba de efeito retardado. Comércio em 1994, 1995, 1998 pra você ter uma ideia. E foi ai que elas gostaram e eu determinei fiz um projeto de vida pra mim. De fazer uma faculdade de turismo. De acabar com o comércio. De transformar isso aqui numa área de receber pessoas do turismo rural. Uma área de hospedagem.

Eu já com a experiência empírica  de viajar bastante. Se hospedar em diversas categorias de hotel. Me alimentei em várias categorias de restaurantes. Vi que sempre faltava alguma coisa. Estas coisas de hospitalidade, de carisma que você ainda encontra no homem do campo. Mais ou menos isso ai . Pensando nisso eu resolvi transformar a propriedade. E como eu te falei, Deus disse amém e todos meus projetos deram tudo certinho. Hoje eu fiz turismo até o quinto ano. Infelizmente não pude concluir por que a faculdade acabou com o curso. Mas me formei em administração, fiz minha monografia. Meu tema foi os efeitos multiplicadores do turismo no espaço rural.  E o conhecimento da gestão do ambiente natural. Uma visão empírica da minha vida.

De onde vem os turistas?

Mariano – Nós temos os locais, uns 2%. Regionais 90% e uns 8% do exterior. Recebemos pessoas também de outros países. Já veio pessoas de todos os estados. Na páscoa, por exemplo, nós recebemos uma família da Suécia. Não falavam português de jeito nenhum. Só inglês. Daí você vai me perguntar: como que a gente faz pra atender quando vem um sueco, um italiano, quando vem um americano?
Recebemos uma família de Taiwan também. Mas Deus sempre coloca a pessoa certa na hora certa. Sabe aquela logística. Sempre ou tem algum parente casado com um brasileiro. Já coincidiu de estar aqui uma alemã e o pai dela e coincidentemente nós tínhamos duas professoras de inglês aqui. E eu me comunico através de mímica. Sorriso é a maior arma pra se comunicar. Não tem problema. Quanto a língua não tem problema.

Pousada Parque das Gabirobas

O que atrai as pessoas? Por que O Parque das Gabirobas é diferente?

Mariano – Primeiro por que a Gabirobas nos remete à Natureza. E de onde tudo começou. Natureza.E quem das pessoas que não tem um pé no campo, na roça .Tem um avô, tem um pai alguém que morou na roça e tal. E aí as gabirobas guardam boas lembranças.Você vê os pássaros, vê as flores, vê as frutas. A comida no campo é diferente né. Aquela comida caipira, saborosa é diferente do que a gente é acostumado no restaurante.
Você come a carne dum porco suíno num restaurante chique, aí você come num médio e come num mais simples. Vai ver que o mais simples é bem melhor que aquele mais chique e custou muito mais barato.

Então, o que atrai as pessoas é vim pra cá é o descanso,o lazer, a tranquilidade, a segurança que o campo oferece. Você já imaginou nós estar aqui sentado, nós trocando umas ideias. Conforme o lugar não poderia estar fazendo isso aqui. A segurança. Ouvindo o canto do guacho lá na frente vendo as borboletas ali. Vendo o barulho da cigarra . Não tá vendo um ronco de carro, uma buzina, não tá vendo um som alto não é. É isso que atrai as pessoas.

Eu acho que quem trabalha nessa área tem que gostar. Tem que viver. A gente tem que gostar do que faz e fazer o que gosta. Eu faço os dois. Gosto do que faço. *

 

Entrevista gentilmente concedida em 19 de maio de 2015. Nossos mais sinceros agradecimentos à receptividade do sr. Mariano, sua família e funcionários.

Como chegar na pousada Parque das Gabirobas?

Segue pela Rodovia Vassílio Boiko passando por dentro de Roncador até chegar a uma placa indicando a direção da pousada. Continua pela estrada rural Via Anchieta por cerca de 07 km.

Contato

  • Telefone:  (44) 3575-1372 (Sr. Mariano)
  • Site: Pousada Parque das Gabirobas
  • E-mail:  reservas@parquedasgabirobas.com
  • Importante:  Visitações à pousada serão aceitas somente com horário previamente agendado.
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Escrito por: Trilhas & Lugares

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